quinta-feira, 23 de março de 2017

CORDEL: Vaqueiro Encourado


CORDEL: Vaqueiro Encourado
Autor: Marcos Freitas
I
O vaqueiro encourado do sertão
E a lei proibindo a sua lida,
Já padece com essa decisão.
Impedindo todo tipo de corrida
Vaquejada ou festa de apartação
além da seca que assola seu Torrão
vai de vez aposentar o gibão.
II
Proibindo a corrida de mourão,
O vaqueiro, assim fica sem a renda,
Apelando que a justiça compreenda,
Que o Nordeste vive em triste situação.
Sem poder campear pela campina,
A garrotada vai virando barbatão
III
É morrer pelas costa apunhalado,
O Vaqueiro lamenta a triste sina,
Pelo Pai ele é sempre consolado.
Só lhe resta apelar pra mão Divina
IV
O esforço desse bravo sertanejo,
É em vão, se vê pouco resultado,
Cada dia pelejar é seu legado,
Mas, padece com a lei da proibição.
Como é dura a vida do Encourado
Campear, é sustento, é ganha pão.
 V
O vaqueiro é o forte Nordestino
Tem esperança no Pai, o criador,
Aprendeu campear desde menino.
Ao relento, na chuva ou no calor
Vida segue, vai tocando seu destino,
Sem gemar mesmo quando sente dor.
VI
Dedicado, sua boiada vai tangendo,
Pouca a pouco, dali tira o sustento,
No carrasco da estrada vai correndo.
Segue o tino, no romper a madrugada
O boi fraco determina a pisada,
Dia e noite não desvia do destino.
VII
O gibão é sua Manta Sagrada,
Sua Fé leva Deus no pensamento.
Muito cedo já sai cortando vento,
Se de fome, a família sucumbir.
Com a lei que proíbe a vaquejada,
Esse bravo poderá não resistir
VIII
Apelando aos doutores do direito,
Que entenda a real situação,
Evite sim, a tragédia, dê o jeito.
Sem chapéu, guarda peito e gibão
Compromete a imagem do vaqueiro,
E o sertão, sem vaqueiro não é sertão.
Fim

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