“Estou de
queixo caído! Estudantes de direito, bacharéis e até professores de direito
vibrando com uma operação policial como se ela fosse, desde o início, o
"desvelamento da verdade". O que estão ensinando nas faculdades de
direito? A emitir juízos antecipados, a aniquilar antecipadamente a inocência
presumida, a crer que o acusador não carece de provar a acusação, a fabricar
nomes espetaculares (prontos para serem vendidos na mídia massiva) para
investigações, a render adoração à persecução penal, a fetichizar a face mais
agressiva e indigna de confiança do Leviatã?
Estão
ensinando nas faculdades de direito exatamente a não pensar como juristas? Onde
estão o ceticismo, a sobriedade, a crítica, a defesa intransigente dos direitos
básicos e do "rule of law" que se esperam dos juristas? Tosco,
horrendo, pútrido, nauseante”.
E lança um desafio juristas “Ei, juristas! Vocês imaginam qualquer fundamentação racional
para a decisão judicial de conduzir coercitivamente Lula? Vocês sabem que toda
decisão judicial deve ser fundamentada racionalmente, né? E que essa exigência
é norma constitucional, né? Vocês não acham que a decisão de Moro é totalmente
desproporcional? Sim, desproporcional. Não havia modo mais brando, menos
nefando, de alcançar o mesmo fim jurídico? O fim jurídico que a condução
coercitiva alegadamente serve estava sendo obstaculizado? Vocês devem ter
estudado a máxima constitucional da proporcionalidade, que, segundo Alexy, é o
próprio critério de justificação a ser satisfeito na interferência em qualquer
direito fundamental (no caso, a liberdade de locomoção)... Vocês ainda se
lembram das aulas de teoria da constituição?
P.S.:
Obviamente estou fazendo um exercício de imaginação. Não consigo imaginar a
proporcionalidade da condução coercitiva, ao passo que consigo imaginar meios
mais brandos e igualmente eficientes para atingir o fim jurídico supostamente
visado pela condução coercitiva. Se realmente havia meios mais brandos e
igualmente eficientes, a condução foi efetivamente desproporcional”.

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